sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Man Next Door

Ontem eu era lago. Fui dormir e ja era rio. Acordei cachoeira.
Recebi fotos do Brasil e a cachoeira quase-quase virou mar. Imensidao de agua cainda dos olhos-cachoeira.
Falei com minha amiga Diva Mariela e descobri que por sermos amigas acabamos tendo ciclos identicos. E ai ela me disse: sou cachoeira tambem.


IN-TEN-SI-DA-DE.
Palavra que por si so ja vem derrubando tudo. Avassaladora.
Eu as vezes penso em como eu gostaria de ser desses tipos praticos e matematicos, com metas claras e financeiras.
Trabalhar mais, ganhar mais, salvar mais dinheiro, investir mais, ganhar mais, trabalhar e trabalhar e trabalhar, e comprar uma casa, e ganhar mais, e vender a casa e comprar outra maior, e carro e outro carro e lancha e casa na praia... e infinititamente como uma progressao geometrica (porque essa sim e muito mais poderosa que a progressao aritmetica... essa outra multiplica!).
Mas sempre caio na verdade de mim. Esse tipo de intensidade que me faz mudar de cidade, mudar de destino, acreditar e acreditar que vai dar certo, e que mesmo que nao de, virar cachoeira e saber que depois serei MAR. E dai tudo comeca denovo.
INTENSIDADE PLUS TIPO QUATRO POR QUATRO FORD RANGER ou algum outro ainda mais poderoso veiculo que eu desconheca, porque tambem nao sei dirigir e nao tenho vontade de aprender.

Tenho vontade de aprender a voar. Isso sim. Pode ser ate de Asa-Delta. Sim sim... de Asa-Delta na praia e jogado na areia. Risos... Marque-se de BIKINI.

BIKINI 'e um bar tipicamente americano que tem aqui no Chelsea, sabia?
E no auge do frio a calefacao esta ligada e as meninas estao sempre de BIKINI. Mas nao sao brasileiras nao. Nao Senhor. Parecem ser garotas de bikini do leste europeu.
No dia que fui la tinha esse homem por quem I HAVE A CRUSH ON. E ele pegou na minha mao e depois soltou. E dai dublou entre gestos e sorrisos uma musica do AC/DC. Risos. E pegou na minha mao denovo. Pensei comigo: tomara que ele nao solte... tomara que ele nao solte...
Mas se o homem precisasse ir ao banheiro, por exemplo, ele teria que largar da minha mao.
E isso 'e como uma matematica. E dois mais dois.

Agora to com esses planos de comecar a fotografar. Fotografar e publicar. Agilizar meu tempo.

O homem que tava segurando minha mao voltou. E disse que estava esperando chuva. Ou entao e talvez e dentro de possibilidades variaveis - o que nao 'e a mesma matematica da qual eu estava falando - ele tenha dito outra coisa. Uma coisa numa lingua que eu nao entendi. Podia ter sido em ingles. 'E... em ingles. Porque voce sabe, as vezes mesmo na tua lingua original voce nao entende o que outros te dizem.
Mas foi assim... em ingles: RAIN!
E eu disse... sem confessar a ele que as palavras que eu usaria eram da maior escritora brasileira de sempre e sempre e tambem porque na verdade o que eu iria dizer nao pertenceria mais a ela, SERIA SO MEU E VINDO DE MIM. Eu disse ao homem assim:

I'm waiting for rain too. And when the rain falls down, I'm going to open all the windows in my house and naked I'll receive the water which falls from the sky.

Agora voce entende? Acho que sim. Que voce me entende muito bem... que voce sabe exatamente da intensidade que estou me referindo.

To ficando dramatico denovo.
E logo eu que iniciei-me no aprendizado silencioso do nao pedir. NO EXPECTATIONS.

Agora preciso ir.
E se no fim de toda essa matematica inversa voce achar que estou triste... na na ni na na!
To e' faceiro.
Ansioso:
Assustado:
mas com aquela faceirice brejeira
de quem nao perde o sotaque do inteior.

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